terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Idiomas Internacionais

Algumas vezes eu me revolto com como certas coisas são aceitas como verdades imutáveis. A coisa que mais me irrita é quando dizem que o esperanto morreu, enquanto a internet trouxe um grande crescimento ao idioma.

Mas não me irrito porque sou esperantista, me irrito porque sei que não é assim e que esta é uma das coisas que são repetidas até que aqueles que não conhecem passam a repetir como se fosse verdade, numa de "se todo mundo diz isso, é porque é assim".

Hoje eu conversei um pouco com o cmilfont e com o daniel_ruoso no twitter sobre o inglês ser uma língua internacional.

Ninguém pode negar que realmente ele o é. Mas isto é algo justo? Ou, para ser mais realista, é algo que se deva aceitar sem ao menos contestar? A questão da língua internacional não nasceu ontem, o esperanto foi divulgado ao mundo em 1887 há mais de 100 anos, e ele não foi a primeira tentativa.

Porque não deu certo? Aliás, algum dia a sociedade internacional aceitará um idioma internacional? Nem a União Européia tem um idioma só de trabalho, tudo tem que ser traduzido a mais de vinte idiomas. As pessoas querem seu interesse, é difícil para a maioria aceitar que algo pode ser vantajoso para todos.

Quando os estados europeus não entram em acordo com uma língua nacional apenas ser oficial, cada um defende seu lado, mesmo que isso gere mais burocracia e atrapalhe as tomadas de decisão. Este raciocínio com a UE vale para a ONU, mas a ONU abrange um número maior de países e interesses conflitantes.

É inclusive comum hoje se dizer que o chinês vai substituir o inglês, então aprendamos todos mandarim. Tá, o mundo sempre foi assim, porque mudar? Sempre houve um país que dominava economicamente e impunha sua língua aos outros, porque fazer diferente? Afinal, isto de direitos iguais a todos vale alguma coisa?

Eu creio que valha sim, e que está nas mãos de cada um optar por mudar um pouco a postura submissa de aceitar a dominação "porque sempre foi assim".

Vou continuar este papo em alguns dias, para evitar um texto muito grande e para acompanhar algum retorno nos comentários ou no twitter.

5 comentários:

Daniel Ruoso disse...

Enquanto houver gente falando um idioma, ele não está morto. A questão não é essa.

A questão é que o pressuposto de um "idioma neutro" é falso, porque mesmo um idioma artificial, mesmo que criado, na melhor das intenções, tentando ser o mais desligado possível de qualquer outro idioma ou cultura, sempre estará imerso nas determinações culturais daquela época.

Essa é a mesma análise que foi feita sobre a Filosofia em si. Durante muito tempo (e eu digo milênios), acreditou-se que a filosofia poderia falar sobre as coisas, que a filosofia era uma meta-linguagem. No entanto, no século XX, um carinha chamado Wittgenstein mostrou que qualquer linguagem está imersa em uma determinada situação, e que por isso mesmo que ela se pretenda universal, ela sempre vai ter um ponto de partida. A questão é complicada ao ponto de ele terminar o livro dizendo "Quando não se pode falar, é melhor calar".

Essa análise serviu para entendermos que a Filosofia não é uma meta-linguagem, que ela não tem autoridade para falar "neutramente" sobre as coisas, porque ela está tão imersa politicamente no mundo quanto qualquer outra linguagem.

O mesmo se aplica para o Esperanto. O esperanto é um idioma como qualquer outro, nem melhor, nem pior. Carrega consigo uma carga cultural específica, assim como qualquer idioma, especificamente muito ligado aos idiomas europeus: usa o alfabeto latino, tem uma estrutura gramatical muito parecida com as línguas européias, tem uma construção semântica no vocabulário muito parecida com as línguas européias.

O que isso significa é que a idéia de você ter o esperanto como idioma universal é tão violenta quanto a idéia de ter o inglês como idioma universal, e é por isso que a União Européia adota todas as linguas oficiais dos países membros como suas próprias línguas oficiais.

Para dar uma dimensão sobre o significado disso, relato um caso acontecido no parlamento europeu:

Certo dia estava um eurodeputado espanhol da região da galícia discursando na tribuna em galego (a língua galega é um elemento de resistência contra "la lengua dela puta madre", como eles mesmos chamam). Outros eurodeputados espanhóis protestaram por ele não estar usando uma língua oficial da UE. Em sinal de protesto, esse eurodeputado continuou o seu discurso em Português.

Em resumo, não existe idioma sem cultura, então não existe idioma neutro. Todo idioma vai representar algum tipo de "desequilíbrio político" (para não usar o termo dominação), então se você quer realmente respeitar a auteridade e evitar as situações de "desequilíbrio", você deve ser poliglota, e não esperar uma língua universal.

daniel

Xisberto disse...

Não posso discordar de nada do que você disse, até porque é verdade. É ilusão acreditar que algo possa ser neutro em relação a tudo, como se fosse desligado da realidade.

Esta suposta condição de neutralidade até mesmo é desvantajosa.

A vantajem que eu vejo no esperanto não é a neutralidade como uma língua a parte, e sim a neutralidade em relação aos interesses nacionais. A cultura atrelada ao esperanto é uma cultura de paz, de tolerância.

Enfim, não é o fato de trazer uma cultura atrelada que torna o esperanto mais ou menos válido como língua internacional, e sim que cultura está atrelada ao idioma.

Pedro Gurgel disse...

=~~~~

Alguém me ensina esperanto?!?!

MEGA BONUS disse...

Eu tbm quero aprender esta lingue minha primeira investida foi em 1997 quando li algo sobre ela num livro maçonico, mas depois disso nunca mais ouvi algo sobre o assunto e tbm não procurei, mas com oestou acompanhando o Xisberto vi que ele tem interesse no assunto e eu to bem contente com isso
Quero aprender

Quem encina??

JotaELe disse...

Aprenda Esperanto em http://lernu.net/

Qualquer língua nacional confere naturalmente uma vantagem aos falantes nativos. Com Esperanto, essa vantagem, mais ou menos desaparece, tornando as relações internacionais mais equilibradas.
Aprecio o Esperanto por ser uma língua sem exceções e com uma gramática muito simples. É muito fácil de aprender.