terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Ápice do Autoconhecimento

O conceito mais forte na cultura do andarilho era o autoconhecimento. Na maioria das culturas é assim, uma pessoa só atinge seu máximo quando se conhece suficientemente. Para a maioria das pessoas o autoconhecimento não precisa ser pleno, basta um pouco, o suficiente para enfrentar os desafios diários.

Mas para o andarilho não poderia ser assim. Ele enfrentara grandes desafios pelo seu povo, lutara em batalhas que garantiram a identidade de sua gente, conhecia toda a sua história. Ele era um exemplo a ser seguido. E ele conhecia-se completamente.

Mas isso não era o fim de uma vida cheia de conquistas, havia muito o que conhecer no mundo. Então o andarilho deixou o castelo do rei, onde por pouco tempo ensinara a vários os segredos de sua técnica de autoconhecimento e assumiu sua natureza mais uma vez: passou a vagar pelo mundo e a aprender o que pudesse.

E o andarilho conheceu muitas coisas e muitas pessoas. Aprendeu muito sobre o mundo e sobre as pessoas. Então, em uma animada conversa numa taverna com novos amigos, percebeu algo em si que não esperava. Era o desconhecido em seus sentimentos novamente. Naquela noite, deitou-se mais cedo.

Deitou-se, mas não dormiu. Não entendia o que acontecia, mas logo veio à sua mente o que ele já deveria ter visualizado há muito tempo: ele havia mudado, constantemente. E preparou suas fórmulas para aceitar a mudança. Era mais uma fase pela qual deveria passar.

Não me preocupo com a cronologia dessa saga quando escrevo, mas devo me preocupar quando publico. Este episódio é anterior à primeira história do andarilho que escrevi aqui. Ainda há cenas a serem narradas até que as histórias se encaixem, e elas aparecerão em breve.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Verdadeira Natureza


"Mas de onde vieram tantas histórias, velho curandeiro?" Perguntou um dia a menina de cabelos cacheados. Sua mãe a repreendeu pelo "velho", mas o andarilho não se importou. Já estava naquela cidade há tanto tempo que apenas ele se chamava de andarilho, quando se observava no presente e no passado.

Durante todos estes anos naquela cidade, o andarilho passou a ser chamado de forasteiro, pois já não mais andava pelos países daquela terra colhendo suas histórias. Agora ele as contava para as pessoas que quisessem escutar. O forasteiro passou a também curar as pessoas daquela região de suas doenças do corpo e da mente. Ensinava-lhes um pouco de sua cultura e elas se sentiam iluminadas.

Mas diante da pergunta da garota de cabelos e olhos escuros, o andarilho se viu confrontado com seu passado. A maioria das histórias que hoje o andarilho conta são baseadas no que ele vê das pessoas e dos viajantes que passam pela cidade com histórias de países distantes. Ele apenas as mistura com os personagens de seu passado, pois sabe que histórias sobre pessoas conhecidas não são atrativas e suas mensagens não entram nas cabeças se não estiverem acompanhadas de mistério.

O andarilho percebeu então que havia sido muito bem recebido naquela cidade, e que praticamente não encontrara resistência à sua presença ali. Entendeu que havia se acomodado, como se aquela cidade fosse suficiente enquanto um mundo inteiro poderia ser explorado. E só assim entendeu porque ele mesmo não deixou de se chamar de andarilho: esta era a sua natureza, e ele sempre quis segui-la.

Olhou para a garota que já insistia na pergunta e respondeu:

― Vem de minhas viagens por esta e por outras terras, e em breve partirei para conhecer novas histórias e contá-las a outras pessoas. ― e ele já não parecia ser tão velho como quando começou a pensar nisso tudo.

― Você voltará para nos contar as novas histórias que conhecer? ― perguntou mais uma vez a garota de pele branca e olhos grandes.

O andarilho sabia que não poderia se comprometer mesmo com a mais inocente das pessoas. "Contarei histórias para seus filhos, e eles não me chamarão de velho", disse e voltou para sua cabana sob a árvore próxima à cidade; precisava se preparar para uma viagem sem destino e sem volta.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Libertando Livros Velhos

Hoje vou libertar um livro velho. Velho no sentido de comprado e lido há muito tempo. Aliás, li duas vezes. O livro é O Demônio e a Srta. Prym, de Paulo Coelho.

Comprei-o na Bienal do Livro de Fortaleza em 2000 e hoje, oito anos depois, o libertarei. Não lembro por quanto o comprei, mas foi uma boa aquisição, e hoje ele poderá ser de outra pessoa.

Não vou entrar no mérito da qualidade do que Paulo Coelho escreve. Este livro não tenta passar a imagem de que magia existe ou de que existem coisas além do que os olhos vêem. Ele conta uma história que nos faz pensar sobre o valor das coisas pequenas e das coisas grandes. Nos faz pensar se algo que é ruim para um e bom para muitos vale a pena. Nos faz pensar sobre que tipo de sacrifícios estamos dispostos a fazer por um bem maior - um bem maior para nossos egos, para uma comunidade ou para a humanidade inteira.

Eu também ia libertar Hiroshima de John Hersey, mas ainda não estou pronto par deixá-lo. Ele me lembra de histórias antigas e eu ainda tenho que lê-lo mais uma vez.

Para saber sobre a liberdade dos livros, visite o site do projeto Livro Livre.
Hodiaŭ mi liberos malnovan libron. Por malnova mi volas diri, je multe da tempo aĉetita kaj legita. Du foje legita. La libro estas La Demono kaj la fraŭlino Prym, de Paulo Coelho.

Mi aĉetis ĝin en la Ĉiudujara Foiro de Libro en 2000 kaj hodiaŭ, ok jaroj poste, mi liberos ĝin. Mi ne memoras ĝian koston, sed ĝi estis bona akirado kaj hodiaŭ ĝi povos esti de alia ulo.

Ne parolos mi pri la kvalito de la libroj de Paulo Coelho. Tio libro ne provas diri, ke magio ekzistas, aŭ ke ekzistas aferoj krom nia vidaĵo. Ĝi rakontas historio, kiu faras ni pensi pri la valoro de la malgranda kaj la granda aferoj. Ĝi faras ni pensi se io, kio estas malbona por unu kaj bona por multoj estas valorinda. Ĝi faras ni pensi pri kio tipo de ofero ni estas pretaj por fari per plej granda bono - plej granda bono por nia egoo, por komunumo aŭ por la tuta homaro.

Ankaŭ liberos mi Hiroshima de John Hersey, sed mi ankoraŭ ne estas preta por lasi ĝin. Ĝi memorigas min pri malnovaj historioj, kaj mi devas legi ĝin unu foje plu.

Je scii pli pri la libereco de la libroj, vizitu la retejon de la projekto Livro Livre (portugale).

domingo, 7 de setembro de 2008

Nunca parar

Tentando continuar esta série, que escrevi no início do blog.

O andarilho montou acampamento em um ponto alto, próximo a uma cidade, sob a sombra de uma árvore. Releu seus pergaminhos, praticou os rituais mais simples. Tinha consciência de que deveria recuperar sua prática perdida.

Esta recuperação não foi fácil. Anos de desleixo não se recuperam em alguns meses. Mas a proximidade da cidade era um fator novo, que permitia variações nas fórmulas dos ritos e levavam o andarilho a explorar faces de sua cultura até então desconhecidas para ele.

Também tornou-se inevitável a interação com as pessoas da cidade, e esta interação foi o que mostrou ao andarilho novas possibilidades. Ele buscou conhecer pessoas, criou alguns laços de amizade e seus ritos o ajudaram bastante nesta parte.

Era o que o andarilho precisava, era o que ele queria encontrar na caravana e ela não o deu: uma mudança grande. E a mudança só foi possível após todo o trauma causado pela temporada junto à caravana.

Na cidade, não era mais conhecido como andarilho, mas como forasteiro, pois poucos conheciam seu nome e ele próprio não considerava necessário que conhecessem.
Neniam Halti

La iranto kampadis en alta loko, proksime al unu urbo, sub ombro de arbo. Relegis liajn pergamenojn, praktikis la plej simplajn ritojn. Li havis konscion, ke li devis ripari lian perditan praktikon.

Tio riparo ne estis facila. Jarojn de malzorgemo oni ne povas ripari en monatoj. Sed la baldaŭeco al la urbo estis nova faktoro, kio permesis variojn en la formuloj de la ritoj kaj kondukis la iranto je esplori vidaĵojn de lia kulturo ĝis tiam nekonataj al li.

Ankaŭ neevitebla estis la interparolo kun la ulo de la urbo. Kaj tio interparolo montris al iranto novajn eblojn. Li provis koni la ulojn, kreis kelkajn ligojn de amikeco kaj liaj ritoj sufiĉe helpis lin en tio momento.

Estis tio, kion iranto serĉis, kion li volis trovi en la karavano, sed ĝi ne donis lin: granda ŝanĝo. Kaj la ŝanĝo estis ebla nur poste la tuta traŭmato, kio estis kaŭzita per la tempo, dum kio li estis apud la karavano.

En la urbo, li ne pli estis konata kiel iranto, sed kiel aliandano, ĉar malpli da urbano konis lian nomon, kaj li mem ne konsideris necesa, ke ili ĝin konis.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Mais Mudanças

Mais uma mudança no blog, para um layout mais avançado e uma mudança na linha editorial.

O layout é baseado no layout do Usuário Compulsivo e aos poucos vou fazer algumas alterações.

Em relação à linha editorial, estou sempre mudando de opinião e de vontades, então ela muda sempre. Capaz de eu criar categorias ou até blogs secundários para textos em esperanto e em alemão. Mas isto é apenas uma possibilidade.

Dentre as possibilidades analisadas para a mudança, até visualizei migrar para o wordpress, mas não gostei da idéia da pouca liberdade que há lá. Resolvi ficar no Blogspot mesmo que eu já conheço.

Até mais com mais mudanças, meus dois leitores!
Jen alia ŝanĝo en la blogo, al pli moderna aranĝo kaj ŝanĝoj en la scribmaniero.

La aranĝo estas bazita de Usuário Compulsivo kaj malmulte mi ŝanĝos ĝin.

Rilate al scribmaniero, mi ĉiam ŝanĝas miajn opiniojn kaj volojn, do ĝi ĉiam ŝanĝas. Probable mi kreos kategoriojn aŭ mem aliajn blogojn nur esperante kaj germane. Sed tio estas nur ebloj.

Ĝis baldaŭ kun pli da ŝanĝoj, miaj du lektoroj!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Xingling-player, desfecho da história

Continuando com a história do xingling-player, a batalha chegou ao fim. Acho que ganhei.

Bem, tentei seguir o plano que descrevi no post anterior. Tentei ligar para o número 0800 da distribuidora, e só consegui uma mensagem de que o número não era mais válido ou algo assim. Mandei um e-mail pelo formulário de contato disponível no site, informando o que havia acontecido e perguntando se uma formatação era segura.

Esperei 2 dias pela resposta, e nada. Então apelei para a loja. Pelo site, tentei iniciar o processo de devolução, mas não consegui. Por telefone resolvi tudo. Ganhei um vale-compras. Eu queria mesmo a devolução do dinheiro, mas seria complicado e eu não queria esquentar a cabeça.

Para ter o vale-compras eu deveria enviar o produto pelos Correios, e para isto a loja forneceu uma postagem paga. Tive de ir à agência central para realizar a entrega. Tudo correu bem, mas eu sabia que ainda poderia complicar.

Com a greve dos Correios, a entrega demorou a chegar e acabei recebendo um e-mail da loja informando da demora. No dia seguinte (hoje) chegou o e-mail confirmando o crédito do vale-compras.

Coincidentemente, hoje também chegou um e-mail da distribuidora informando que tiveram problemas com o servidor e que um procedimento de formatação resolveria tudo. Agora é tarde, e mamãe já tem um mp3 player que eu gostaria de ter.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Xingling-player


É, eu parei por um longo tempo, mais para ver se os meus 2 últimos leitores esqueciam o conto que ficou pela metade. Mas este acontecimento foi demais, e como eu estou contando-o para muita gente, melhor estcrever logo.


Acontece que minha mãe resolveu entrar para a era digital e quis um mp3-player. Não precisava ser um "mp4-player" nem um "mp7-player", só precisava tocar as músicas que ela gosta. O modelo mais barato. Resolvi que um de 1GB fosse suficiente.


Claro que resolvi dar mais uma chance ao comércio local, mas eles não têm jeito. Tudo aqui é muito caro. Apelei para uma loja on-line. Aí exagerei no sentido de "o mais barato". Foi um modelo de 99 reais de uma marca desconhecida, que passou para 108 com o frete. Na hora que vi o frete, pensei em desistir. Na verdade, nem notei a marca, eu meio que ceguei na hora. Eu já cometi antes a besteira de comprar um mp3-player barato e me dar mal, ainda estou para entender como caí nessa outra vez.


Um devaneio sobre minhas cegueiras, temo que isto esteja se tornando comum: ontem perdi uma partida de Magic por não atentar para uma bobagem.


Chegando em casa ontem, minha mãe (com uma delicadeza que lhe é peculiar) me diz: "Eu pedi um pequeno de tamanho, e não de espaço!" Num primeiro momento desconfiei, quem colocou as músicas lá foi o meu irmão, provavelmente no Windows. Olhei no menu do aparelho e vi que estava com 67 músicas e 99% de espaço cheio. Isto não poderia ser certo.


Lembrei logo do HD externo do RedTuxer. Vai que havia algo estranho? Resolvi ligar o PC para encontrar alguma coisa. No Linux, fui olhar o espaço disponível com um df -H:



Sist. Arq. Tam Usado Disp Uso% Montado em
/dev/sdb 1,1G 1,1G 734k 100% /media/disk

Até aí parecia tudo bem. Poderia haver algum arquivo gigantesco lá. Então vamos ao du -h, para contar o tamanho de cada arquivo. No tamanho total vejo:



242M /media/disk/

Então vi que havia algo realmente errrado acontecendo. Corri então para o fdisk para ver as partições. O que ele me mostra? Veja você mesmo:



Disk /dev/sdb: 1020 MB, 1020748288 bytes
32 heads, 61 sectors/track, 1021 cylinders
Units = cilindros of 1952 * 512 = 999424 bytes

This doesn't look like a partition table
Probably you selected the wrong device.

Dispositivo Boot Start End Blocks Id System
/dev/sdb1 ? 398636 983425 570754815+ 72 Desconhecido
A partição 1 possui inícios físico/lógico diferentes (não Linux?):
fís. = (357, 116, 40) lógico = (398635, 6, 23)
A partição 1 possui fins físico/lógico diferentes:
fís. = (357, 32, 45) lógico = (983424, 30, 61)
Partition 1 does not end on cylinder boundary.
/dev/sdb2 ? 86419 1078237 968014120 65 Novell Netware 386
A partição 2 possui inícios físico/lógico diferentes (não Linux?):
fís. = (288, 115, 43) lógico = (86418, 26, 1)
A partição 2 possui fins físico/lógico diferentes:
fís. = (367, 114, 50) lógico = (1078236, 17, 53)
Partition 2 does not end on cylinder boundary.
/dev/sdb3 ? 957932 1949749 968014096 79 Desconhecido
A partição 3 possui inícios físico/lógico diferentes (não Linux?):
fís. = (366, 32, 33) lógico = (957931, 2, 32)
A partição 3 possui fins físico/lógico diferentes:
fís. = (357, 32, 43) lógico = (1949748, 25, 36)
Partition 3 does not end on cylinder boundary.
/dev/sdb4 ? 1478321 1478349 27749+ d Desconhecido
A partição 4 possui inícios físico/lógico diferentes (não Linux?):
fís. = (372, 97, 50) lógico = (1478320, 8, 25)
A partição 4 possui fins físico/lógico diferentes:
fís. = (0, 10, 0) lógico = (1478348, 22, 13)
Partition 4 does not end on cylinder boundary.

Logo no segundo parágrafo ele me fala que isto não parece ser uma tabela de partições. Boa essa! Pelo que consegui entender, o aparelho tem 4 partições, todas elas gravadas umas sobre as outras. Defeito grave de fabricação ou truque?


Bem, já defini minha estratégia:



  • contato com o "fabricante"/distribuidor por e-mail (para ter algum registro) para saber se posso formatar de um modo normal, com apenas uma partição FAT.


    • Se não for problema, farei isso.

    • Se não for possível, pedirei à loja que efetue a troca.



Vamos esperar para ver no que dá.


domingo, 6 de abril de 2008

Dois Caminhos, parte 2


Escolheram Earendi, uma altera que morava na mesma vila, para cruzar o caminho de Menki. Eles não se conheciam, mas tinham interesses em comum.

Como de costume da Conspiração, seus vários membros ativos trabalharam secretamente para alterar as rotinas de Menki e de Earendi, para que eles se encontrassem.

Menki e Earendi se encontraram e se tornaram amigos. Menki mal tinha consciência de sua natureza Altera, mas Earendi notou logo em seus traços que eles deveriam ser iguais.

Menki viu nascer uma revolução em sua mente naquele dia. Era difícil decidir entre o certo e o duvidoso. A moça simples era visivelmente diferente dele, e aquela aproximação não duraria muito tempo antes que eles começassem a se magoar.

Mas Earendi não parecia tão disposta a uma amizade mais próxima, embora Menki soubesse que neste caso eles poderiam compartilhar de mais alegrias do que já compartilhavam atualmente.

Decidir entre a curta alegria com final trágico e uma provável felicidade duradoura, com riscos de perder o que já tinha era cada vez mais difícil. E cada dia que passava tornava as coisas mais fixas em sua atual situação.

A Conspiração soube que não poderia fazer mais nada, apenas esperar pelo fluxo natural dos acontecimentos.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dois Caminhos


Voltando a escrever narrativas. De agora em diante, tentarei usar a narração mais freqüentemente, em vez de discutir o assunto em questão diretamente, como estava fazendo nas últimas postagens.

Nos tempos do exílio dos Alterom viveu Menki, um Altero dedicado apenas à sua vida.

Menki não pensava na luta pelo fim do exílio, nem mesmo tinha completa consciência de suas origens. Ele tentava construir uma vida de acordo com os costumes do país onde havia crescido.

Ele havia esquecido so costumes de seu povo, não se reunia com seus iguais e não realizava os rituais que sua cultura havia criado. Menki também não conseguia se integrar à vida da sociedade na qual vivia. No fundo, ele ainda achava aqueles costumes estranhos e a adaptação não era fácil.

Mas esta não era a vida que os Antigos Alterom haviam reservado a Menki. Ele deveria penetrar e se integrar àquela sociedade, mas para tornar alguns de seus componentes simpáticos à causa Altera.

Menki sentia-se incompleto, mas não sabia o que poderia fazer para se sentir completo. Com o objetivo de encontrar algo que o preenchesse, deixou que uma nativa daquele país se aproximasse.

A Conspiração viu que era necessário interferir.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Blogs e blogs


Há algum tempo, a Cynara reclamou sobre alguém que se dizia não estar na blogosfera. Eu na verdade acho que existem duas blogosferas atualmente. E eu me encontro no meio das duas.


Uma delas é a Blogosfera oficial. A que ganha dinheiro com blogs. Aquela cujos blogs são quase todos sobre tecnologia ou (web)design. Os caras que usam Macs ou querem ter um. Os caras que tem PageRank alto, que pagam hospedagem real com direito a domínio .com, que usam Wordpress instalado via ftp no servidor.


A outra blogosfera, nem se chama assim. Não usam AdSense, nem feeds RSS usam. Não falam de tecnologia, só usam computadores para postar porque não tem outro jeito. Gadgets caros? Celulares Nokia 1100. MacBook Air? Pentuim III de lan-house. Hospedagem no exterior? Blogger.com do Google. Ou pior: Blogger da Globo.


Estou numa situação feia pra mim. Leio mais os blogs "top" que os "ralé", mas o meu blog é ralé. Porque isso, então? Porque sou um geek como os autores de blogs "top", mas não gosto de escrever sobre tecnologia no meu blog. Nem sei se disse aqui que escrevi a minha monografia sobre Web 2.0, e um de seus maiores ícones são os blogs. Mas o que importa é que eu leio blogs via feeds, e o Blogger da Globo não oferece feeds e assim eu acabo não lendo os blogs de vários amigos!


Meu irmão, aliás, tem um péssimo hábito de mandar um spamzinho para todos os seus contatos avisando de atualizações no seu blog. Eu criei um filtro que as envia direto pra lixeira e o respondia 5 vezes. Como não surtiu efeito, o filtro agora só as envia para a lixeira. Ele usa feeds, mas não vêem com resumo dos posts =/


Vou reativar as listas de que blogs eu leio, e colocá-los na barra lateral. Quem sabe eu até volte com o layout com duas barras laterais. E inicio um movimento: "Use RSS, senão não consigo te ler!". Até o tal de Zip.net que meu irmão usa tem RSS, minha gente.


domingo, 20 de janeiro de 2008

Teclado Brasileiro Nativo (parte dois)



Segunda parte da minha jornada com o Br-Nativo. Eu estava falando dos layouts de teclado e de como eles se adaptam a regiões ou ergonomia.

Foi quando descobri o Teclado Brasileiro. Nem lembro como cheguei ao site dele, alguma busca no Google me levou até lá. Provavelmente estava relacionado ao Das Keyborard, um sonho de consumo meu. Da primeira vez, li alguma coisa no site e apenas guardei nos favoritos. Reparei que tinha com instalar no Linux e no Windows e achei bem interessante. Chegando em casa, procurei outros layouts no Windows (ainda não era tão usuário de Linux) e experimentei o Dvorak por 10 minutos.

Ano passado voltei a procurá-lo. Li, instalei, mas ainda não me sentia preparado para usá-lo. Chegou a monografia e eu pensei "É um grande volume de texto para digitar, será um ótimo treinamento". Mas logo em seguida repensei "Já escrevo devagar com o QWERTY, imagina com o Br-Nativo". Mas no mesmo dia li sobre o Klavaro e o instalei. Comecei o treinamento mas interrompi, já que havia a monografia para fazer.

Hoje estou experimentando usar o Teclado nas variantes Nativo e Esperanto. Principalmente a variante Esperanto, para os textos traduzidos do blog, pois é muito difícil usar as letras acentuadas do esperanto (ĉ, ĝ, ĥ, ĵ, ŝ, ŭ) em um teclado comum, e a variante Esperanto do Br-Nativo as deixa a apenas uma tecla de distância.

Agora vamos falar de como você pode experimentar o Br-Nativo. Vou dar dicas de como facilitar a alternância entre vários layouts no KDE e no GNOME, ambientes de desktop do Linux. A instalação está lá no site do projeto, eu não preciso repetir aqui. No site do projeto, a instalação do driver para Windows está bem completa e inclui a configuração do ambiente de trabalho, por isso não vou escrever mais nada aqui. Para ver como é, olhe nesta página.

No KDE é necessário apenas usar as opções de layout de teclado, disponíveis no kcontrol, "Regional & Acessibilidade", "Layout do Teclado".

É necessário marcar a opção "Habilitar Layouts de Teclado" e adicionar mais de uma vez o layout "Brazil - br". A variante "anbt2" é a QWERTY que usamos, as outras variantes na figura correspondem às variantes Nativo e Esperanto. Abaixo da caixa de seleção que permite escolher a variante, pode-se editar a legenda que aparecerá na área de notificação indicando o layout escolhido. Na aba "Opções XKB" há várias opções para definirmos teclas de atalho para realizar a mudança do layout selecionado.

O layout também pode ser alterado com um clique no indicador localizado na área de notificação.

 

No GNOME é necessário alguns passos a mais. Primeiro, adicionamos o applet "Indicador de Teclado" a um painel. Clicando nele com o botão direito, temos acesso às opções de teclado.

Na aba disposições, clicando no botão "Adicionar", podemos adicionar novas disposições pelo país e variante. Neste momento escolhemos o país Brasil adicionamos as variantes Nativo.

Na aba opções de disposição, sob o grupo "Group Shif/Lock Behavior" temos várias opções de atalhos para fazer alternar entre os layouts selecionados.

Vejam no detalhe a opção de usar o ScrollLock como alternador. Também podemos alternar o layout com um clique simples no applet indicador de teclado que adicionamos ao painel.



sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Teclado Brasileiro Nativo (parte um)


Este é o post mais tecnológico do blog. Claro, porque este não é um blog de tecnologia, embora eu trabalhe com tecnologia e a ame.

O post é mais para falar da minha última viagem: usar o teclado brasileiro. Quem acompanha o meu twitter já me leu falando dele. Quem me vê todo dia também já deve ter passado por uma sessão de tortura daquelas onde eu tento convencê-los a se interessar por alguma coisa que me interessa.

Muito bem, mas do que se trata? Você sabe que esse teclado QWERTY foi desenhado para as pessoas escreverem devagar? Na Wikipédia, há uma história do surgimento deste layout de teclado. Uma versão sobre como a posição das teclas foi determinada diz que o layout foi desenhado visando separar seqüências comuns de letras na língua inglesa. Não importando como foi desenhado este layout, o objetivo era diminuir a velocidade de digitação, uma vez que as máquinas de escrever costumavam ficar com os tipos enganchados uns aos outros quando o usuário digitava rápido demais.

Com a venda de máquinas de escrever para o mundo inteiro, houve o movimento de nacionalização dos layouts de teclados e outros layouts surgiram, mais ainda visando a lentidão da escrita. Com os computadores, a confusão com os tipos das máquinas de escrever deixou de ser importante, mas o layout QWERTY havia se tornado um padrão de mercado (adotado pela maioria, mas sem uma legislação ou norma que o impusesse) e continuou a ser adotado.

Naturalmente surgiram estudos buscando mudá-lo, mas que motivo seria suficiente para mudar a maneira de se escrever? Em 1936, o Dr. August Dvorak patenteou o seu modelo de teclado. O objetivo principal do layout Dvorak é a ergonometria, a busca de um digitar mais confortável e menos desgastante, evitando problemas com LER e DORT.

Mas novamente surge a internacionalização. Ambos os teclados surgem efeito sobre a língua inglesa, sobre a qual foram construídos. O QWERTY separa letras comuns da língua inglesa, e as freqüências de uso das teclas analisadas para a composição do Dvorak são relativas a esta língua.

Cara, que post grande! Vamos fazer assim: outro dia eu termino, contando como eu comecei a usar o teclado nativo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Insônia


Meia-noite e um turbilhão de pensamentos. Tudo o que passa por meus sentidos é estímulo, e meu cérebro não quer perder nada do que acontece.


É o que acontece quando invento de ficar no computador até tarde. Ou quando leio um bom livro antes de dormir. Ou mesmo quando tomo banho logo antes de deitar. Por mais clichê que possa ser, a água me traz uma enxurrada de idéias.


Agora surgem planos mirabolantes, de chamar aquela pessoa pra sair, de ir ao banco, de comprar mais memória pro notebook, voltar a escrever meu livro, postar no blog...


Vou beber água. De olhos fechados, vejo a casa inteira. A alta atividade do meu cérebro desenha todos os pontos em que devo ter cuidado com as paredes e móveis. Na esperança de que enxergar o caminho me faça pensar menos, abro a porta da geladeira para iluminar o caminho até o gelágua.


Se torna mais uma brincadeira. Vou percorrendo o caminho e a porta fechando, aumentando a dificuldade e fazendo com que eu volte a desenhar a casa na minha mente. Pego o copo sem enxergá-lo, encho e bebo a água, devolvo pro lugar. Sem esbarrões. Eu que vivo dizendo que tenho memória ruim.


Voltando pro quarto, a luz verde do celular recarregando serve de farol. Deito na rede. "Amanhã escrevo sobre isso." Parece que alguma coisa se aquietou em minha cabeça, já posso dormir em paz.


Mas depois do almoço vai ser difícil voltar ao trabalho.



Noktomezo, penslavango. Ĉiuj, kiu passas per miaj sencoj stimulas min, kaj mia cerbo volas perdi nenion, kion okazas ĉirkaŭ.


Tio estas, kiu okazas kiam mi starigas ĝis malfrue en la komputilo. Aŭ kiam mi legas bonan libron. Aŭ eĉ kiam mi banas ĵus antaŭ dormi. Per kliŝa tio estas, akvo alportas al mi idea inundo.


Ankoraŭ ekaperas frenezaj planojn: voki tiun pri promeni, iri al la banko, aĉeti ĉefmemoron por la tekkomputilo, turni al skribi miajn librojn, poŝti en la blogon...


Trinkos akvon. Fermitaj okuloj, mi vidas la tuta domo. La alta agado de mia cerbo projektas ĉiujn la punktojn, en tiuj mi devas zorgi la vandojn kaj meblojn. Esperanta ke, vidanta la vojon mi pensus malpli, mi malfermas la pordon de la glaciujo, por ilumini la vojo ĝis la trinkujo.


Ĝi fariĝas alia ludo. Mi trakuras la vojon, la pordo fermas, pligrandigas la malfacilaĵon kaj mi reen projektas la domon en mia menso. Mi prenas la glason sen vidi ĝin, plenas ĝin kaj trinkas la akvon, redonas ĝin al ĝia loko. Sen ekpuŝiĝoj. Kaj mi diras ĉiam, mi havas malbonan memoron.


Reirante al ĉambro, la verda lumo de la poŝtelefono funkcias kiel reflektoro. Mi kuŝiĝas en la teksaĵo. "Morgaŭ mi skribos pri tio." Ĝi ŝajnas kiel io kvietigis en mia ĉefo, mi jam povas pace dormi.


sábado, 5 de janeiro de 2008

Aparências


Qual a força das aparências no nosso mundo? O que vale mais: quem você realmente é ou a imagem que você construiu e mostra à sociedade? Qual dessas suas duas realidades vale mais para você? Qual dessas suas duas faces vale mais para os outros?

Sim, embora todos digam que valorizam mais o que está dentro e menos a embalagem, isto é realmente verdade? Ah, esta pergunta todos fazem, responderei então o que penso disto.

O que somos, o que pensamos e sentimos, nada disto é igual ao que mostramos aos outros. Isto não é errado, isto é humano. É uma questão que envolve vários aspectos. Escondemos alguns traços da nossa personalidade por medo de perder algo, ou por querer alcançar alguma coisa, ou por querermos nos aproximar de alguém. Até mesmo por vontade de mudar, de deixar um comportamento incômodo e mudar para algo mais avançado.

Mas existe sim o lado ruim da aparência. E ele atinge exatamente as pessoas mais visadas. Aqueles "populares" da escola ou trabalho, os famosos que aparecem todo dia na TV, ou aqueles com uma história de vida sofrida que aparecem uma vez nos jornais.

Essas pessoas precisam esconder seus lados fracos. Caso contrário perdem sua credibilidade. E todos saberão que aquela pessoa é preconceituosa, que costuma ignorar e tenta humilhar pessoas que supostamente não cresceram à sua altura, ou que pesquisam o nome dessas pessoas na Internet para usar algum ponto de sua vida para atacá-las.

O mais importante para nós, pobres mortais, é saber que as pessoas não são apenas aquilo que vemos delas. Aquele interessado em máquinas e sistemas também tem coração, vontade de crescer e sensibilidade para reconhecer mensagens construtivas e diferenciá-las das inoportunas. Enquanto que aquela pessoa sofrida, que, por exemplo, não tem como fugir de uma maldição e que compartilham seus sofrimentos com os outros para ajudá-los também tem um lado sombrio e elitista, que julga pela aparência e divide as pessoas entre "seletas" e o resto.


Kial forta estas la mienaj en nia mondo? Kio estas pli valora: kiu vi reale estas, aŭ la imago, kion vi konstruis kaj montras al la socio? Kiu el viaj duaj realecoj valoras pli al vi? Kiu el viaj duaj vizaĵoj valoras pli al alioj?

Jes, malgraŭ ke ĉiuj diras, ke valoras pli tion, kio estas interna, kaj malpli tion, kion estas ekstera, estas tio vera? Ah, tion demandon ĉiu farasf Mi diras, do, kion mi pensas pri tio.

Tio, kiu ni estas, kion ni pensas kaj sentas, nenio estas sama al tio, kion ni montras al alioj. Tio ne estas erara, tio estas humana. Tio demando implikas multaj aspektojn. Ni kaŝas ion spuron el nia personeco per timi de perdi ion, aŭ per voli atingi alion, aŭ per voli proksimiĝi iun. Eĉ per voli ŝanĝi, per voli lasi ĝenan konduton kaj ŝanĝi al ion pli kroma.

Sed ekzistas la malbona flanko de aspekto. Ĝi atingas ĝuste la plej vizitajn ulojn. Tiuj "populara" en la lernejo aŭ laboro, la fama el televido, aŭ tiuj, kiuj havas multaj da sufero en sia vivo, kiuj aperas unue en la ĵurnaloj.

Tiuj personoj bezonas kaŝi viajn malfortajn flankojn. Kontraŭe ili ne plu estus kredindaj. Kaj ĉiuj scios, ke tiu estas antaŭjuĝulo, ke li ignoras kaj tentas humiligi personojn, kiuj supozeble ne kreskis al lia alteco, aŭ ke esploras la nomojn de tiuj en la interreto por uzi iun punkton el ilia vivo pri ataki ilin.

La plej importa por vi, simpaj mortemaj, estas scii, ke la personoj ne estas nur tio, kion ni vidas el ili. Tio ulo interesa en maŝinoj kaj sistemoj, ankaŭ havas koron, ankaŭ volas kreski, kaj havas sentemon pri rekoni konstruajn mesaĝojn kaj diferencigi ilin el la malkonvenajn. Krome tiu sufera ulo, kiu, ekzemple, ne povas foriri el malbeno kaj partoprenas via suferecon kun aliaj por helpi vin, ankaŭ havas malluma, elitista flanko, kiu juĝas per la imago kaj dividas la personojn inter "preferitaj" kaj la alia.