sábado, 5 de novembro de 2005

Andanças no Outro Mundo 3


Finalmente termino esta série. Como "o tempo não pára" há sempre algo novo acontecendo e há sempre alguma coisa a mais para se saber sobre si mesmo. Eu odeio a invasão de privacidade que o Orkut me permite...



Um dos membros antigos da caravana, resistente a estrangeiros, consultou seus deuses ancestrais. Não foi um ato saudável. A caravana decidiu expulsar o forasteiro. Por culpa dele antigos deuses foram abandonados, rituais foram esquecidos, vidas mudaram.
Ele não queria deixar a caravana “Eu me adapto a vocês, voltem às suas antigas crenças e eu as seguirei” dizia ele. Mas não adiantou. Cada frase que o andarilho falava fazia a situação piorar, era usada contra ele.



O estrangeiro foi expulso da caravana. Vendo-a partir ele experimentou uma visão que há muito tempo não conseguia ter: ele teve a oportunidade de olhar para trás e se ver em terceira pessoa. Foi realizando esse ritual da sua crença ancestral que o andarilho pôde enxergar que estiveram andando em círculos. Nem seus objetivos pessoais nem aqueles estabelecidos com a caravana haviam sido alcançados.



No fundo do vale onde se encontrava, o andarilho sentiu-se isolado. Pela primeira vez em muitos anos isso foi ruim para ele. Foi péssimo. Velhos fantasmas o visitaram, e ele passou por acessos de loucura. Quando buscou por suas fórmulas e rituais numa tentativa de reestabelecer-se, nada encontrou. Tudo havia ele abandonado. Sua vida estava vazia.



Por um longo tempo o andarilho permaneceu naquele vale. Finalmente levantou-se e decidiu que nada mudaria se ele mantivesse aquela postura. Prosseguiu a caminhada e aos poucos relembrou alguns antigos rituais.



O andarilho ainda busca por uma colina, um ponto alto onde ele possa ver uma grande área e decidir um novo caminho. Devido às fórmulas que voltou a utulizar ele já pôde abrir os olhos de maneira que algumas possibilidades já surgem.



Uma das coisas que o andarilho agora enxerga é que nunca há um ponto de parada, um destino final; mesmo que sempre haja um caminho a seguir.