sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Andanças no Outro Mundo 2


Eis a segunda parte deste conto. Obrigado pelos comentários no post anterior, realmente há muita subjetividade aqui, pois esta é a melhor forma que eu encontro para me expressar. E não, não deve ser verdade que eu escrevo tão bem assim...

Ainda parece estranho ao andarilho toda aquela movimentação. Estava acostumado à solidão, embora não a visse como boa ou ruim. Era apenas uma outra maneira de viver. Com o tempo passou a gostar da idéia de pertencer a um grupo. E a caravana como um todo gostava de ter acolhido o andarilho.

Como sempre, havia entre os membros da caravana alguém que não gostava da influência de estrangeiros. Mas estes se resignaram, confiaram no andarilho, mesmo estando sempre com um pé atrás. Eles mesmos e toda a caravana não deixaram o andarilho perceber este medo. Este foi um grande erro. O andarilho pôde perceber isso algumas vezes, mas nunca teve certeza sobre sua intuição e por isso nunca perguntou. Este foi um erro ainda maior.

O andarilho passou a desejar ser da caravana. Unir-se a ela e nunca mais a deixar. Fazer parte do grupo. Em suas fórmulas e meditações ele passou a trabalhar para isso. Chegou a deixar de praticar o antigo conhecimento que o levou àquele vale onde encontrou a caravana, e isso também o cegou.

Os membros da caravana abandonaram alguns de seus antigos rituais, o andarilho esqueceu algumas de suas antigas fórmulas. Passaram a realizar rituais novos, que misturavam suas culturas e suas vidas.

Por esses motivos ambos começaram a se desviar de qualquer caminho. Passaram a andar em círculos. Faltava alguém perceber isso.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Andanças no Outro Mundo


Este texto eu estava escrevendo há algumas semanas, mas parei nesta parte. Domingo 16 eu voltei a escrevê-lo e me resolvi a postá-lo. Parece que vai ter 3 partes...

Após várias semanas ele acorda. Está em campo aberto. Em meditação reconstrói algumas bases da sua mente e observa o horizonte: precisará encontrar um ponto de chegada, um destino final.

Decidido o destino, o andarilho parte buscando alcançá-lo, recomeça sua caminhada. “Tem de ser assim, não se pode parar sempre que te empurram”, ele pensa. O destino não é muito longe e finalmente sua fase de mudanças terminou.

Mas cruzam seu caminho. Uma caravana, toda uma cultura distante e desconhecida, um novo mundo do qual apenas ouvira falar. Junta-se a eles, têm o mesmo destino.

Apenas alguns dias depois já se sente parte daquilo, como se estivesse lá por toda a sua vida. A caravana o acolhe e ambos rejeitam a idéia de ele a deixar ou de ela o expulsar de sua jornada. Já não caminham em direção àquele destino escolhido na solidão, mas o destino de ambos está no próximo passo, e nunca param.

Mas logo surge uma colina muito bela na estrada. Do alto dela, o andarilho e a caravana vislumbram um destino longínguo e tomam uma decisão apavorante: resolvem dirigir-se a ele. É muito longe, há muitos obstáculos. Mesmo assim tomam aquela direção.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Ah, o tempo!!!

Aí vai um poeminha beem antigo, mas totalmente atual (odeio essas comparaçõezinhas, mas essa é real):


Os deuses instilaram
ansiedade no primeiro
homem que descobriu

Como distinguir as horas.
Produziram, também,
ansiedade naquele
Que neste lugar construiu
um relógio de sol,
Para cortar e picar meus
dias tão desgraçadamente

Em pedacinhos!

― Titus Maccius Plautus (254?-184 A.C.)